Membro Honorário
Pedro
Coltro - (in
memoriam)
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Nasceu
a 5 de outubro de 1911, na cidade de Ribeirão Preto, SP. Casou-se com Júlia
da Silveira Coltro, com a qual teve dois filhos: Maria Cleide e Wagner. Fez
Curso de Guarda-Livros. Aposentou-se pela Companhia Paulista de Estradas
de Ferro (hoje FEPASA) em 1967, como Chefe de Escritório. Formou-se
em Jornalismo e militou na imprensa de Ribeirão Preto, onde fundou o
semanário noticioso, literário, esportivo e de combate GURY, em 1929. Foi
redator-chefe da Folha Progressista,
órgão nacional do Partido Social Progressista (PSP) e secretário e
redator-interino dos jornais A Folha
do Povo e Diário de Bauru, ambos da cidade “Sem Limites”. Desde
criança dedicou-se à poesia, fazendo trovas e sonetos; com participação
em vários concursos de trovas promovidos pela União Brasileira de
Trovadores (UBT) e outras entidades congêneres. Pertenceu
às seguintes entidades: Federação Brasileira de Entidades Trovistas (FEBEST)
de Vila Velha, ES; Academia Anapolitana de Filosofia, Ciências e Letras
de Anápolis,GO; Academia Internacional de Ciências Humanísticas, de
Uruguaiana, RS; Academia Cultural Princesa do Cariri, de Monteiro, PB, e
Academia Internacional de Letras Três Fronteiras, de Uruguaiana,
RS. Foi membro correspondente da The International Academy Of Letters –
Inglaterra e do Centro Cultural e Artístico de Gazeta de Felgueiras, de
Felgueiras – Portugal, do qual recebeu o título de Doutor “ad honorem”. Foi
autor dos seguintes livros: Contabilidade
Prática, em 1978; Galhos Secos
e Quando as Luzes se Apagam
(poesia). Foi
empossado como membro honorário da Academia Bauruense de Letras em 14 de
julho de 1994. Faleceu em 29 de setembro de 1994. TROVAS
Uma
casa destelhada, lá
na beira do caminho reproduz,
sem cobrar nada, o
meu retrato inteirinho!
O
orvalho se acumulando numa
flor emurchecida, lembra
esperanças chegando no
triste Outono da vida.
SAUDADE
– tela sublime que
nos transporta a JESUS e
lembra a dor que redime os
dramas de cada cruz!
Quando
falece um poeta as
Musas ficam silentes, lembrando
o obra seleta dos
seus versos esplendentes.
PAIXÃO
– fermento das dores que
dentro do peito moram, como
em botões todas as flores que
só se vêem quando afloram!
POESIA:
buquê de flores que
enfeita a alma da gente, matiza,
com belas cores, toda esperança inocente!
Não
sei se subo, ou se desço: se
sou feliz, ou infeliz: só
sei que gozo e padeço coisas que eu fiz e não fiz...
Minha
saudade é uma prece, que
eu rezo com devoção: quanto
mais rezo, mais cresce dentro
do meu coração!
FELICIDADE
é o horizonte que
a gente julga atingível, situado
detrás dum monte, cuja escalada é impossível.
Tenho
no rosto estampadas as
dores que me causaste: –
São essas mágoas, passadas, “presentes”
que me deixaste!
A
LIBERDADE consiste, num
sentido bem profundo, na
maior coisa que existe desde
o princípio do mundo!
A
minha vida passada não
interessa a ninguém: –
Se eu dei qualquer mancada, outros
mancaram também... REQUIESCAT
IN PACE Nesse
corpo inerte e frio, onde
há pouco palpitava, qual
correnteza dum rio, vida,
que tanto o animava, –
só resta matéria morta, ruínas
de construção, que,
agora, bem pouco importa se
foi imponente, ou não! –
Eis nossa vida no mundo: fumaça
em breves momentos, que
se desfaz num segundo, ao
leve soprar dos ventos...! TROVAS
Do
mundo apenas se leva, pro
Além, a essência da cruz: não
da matéria – que é treva, mas
do espírito – que é luz.
Palhaço,
fica contente! hoje
és tu que nos diverte, mas
logo a coisa se inverte e tu te rirás da gente!...
A
sorrir tu me disseste (guardo
ainda na lembrança!) que
tudo quanto me deste foi
tão somente esperança...
Se
quem ama não pretende padecer
– não deve amar: pois
quem ama (vê se entende!) já
padece por gostar!
Este
nobre e puro ardor duma
vontade concreta, transformou
num sofredor o mais ridente poeta!
Como
é lindo ver agora, da
janela da sacada, os
raios de sol da aurora brilhando na madrugada!
Cruzar
os braços... tolice, que
sintetiza a descrença: –
Não há problema difícil que a boa vontade não vença!
O
amor afasta temores e
traz ventura pra gente... É
qual um buquê de flores que
aromatiza o ambiente!
Eis
o que somos na vida: sombra
fugaz, duns momentos, que
se desfaz, em seguida, aos mais leves movimentos!
Num
tiquetaque dolente, o
coração vai marcando, num
compasso indiferente, as
horas que vão passando...
Os
anos da mocidade já
se foram, só me resta o
Outono: – muita saudade, além
de rugas na testa...
Olho
o céu (pensando em guerra) Que
placidez que não muda! Contraste
é a vida na terra: Num
feroz “Deus nos acuda”!... TROVAS
AMOR
– sonho constante, pontinha
de uma ilusão. Às
vezes – sol radiante! Quase
sempre – escuridão!
Como
de um eixo central, desde
a manhã à noitinha, a
vida toda de um lar gira
em torno da mãezinha.
Não
pretendi ocultar-te desde
o primeiro momento: quis
apenas namorar-te, “mas
nada de casamento”!
Satirizando
o teu dito de
que é “jovem e bela”, acrescento
o que admito: que,
também, é tagarela...
Sinto
que a vida consiste numa
ilusão que se apaga, face
à esperança, que é vaga; frente
à saudade, que é triste!
Uma
luz esplende agora e
com invulgar fulgor! Procuremos,
sem demora, essa luz: – CRISTO SENHOR!
No
meu empenho constante de
sempre fazer o Bem, eu
vejo o quanto é importante o defender-me também...
Muita
vez mentir eu quis, e
não dizer-te a verdade: -
Quem faz os outros feliz, dá
prova de caridade!
As
folhas murchas, crestadas, a
cair de quando em quando, recordam
glórias passadas, previnem mágoas chegando!...
Venho
nas asas do sonho contemplar-te,
anjo adorado! já
que, por fado medonho, não
posso ver-te, acordado!
PRIMAVERA...
Que beleza! Há
flores por todos os lados, enfeitando
a natureza, motivando
os namorados!...
Companheira
da saudade, a
velhice ainda espera recobrar
da mocidade a
risonha primavera! TROVAS
SILÊNCIO:
estranho mutismo! Que
não tem boca, mas fala: –
É bem diferente do abismo, Quem
tendo boca, se cala!
Meu
amor, fale baixinho... Que
não nos ouça ninguém... O
amor é tal como um ninho: deve esconder-se também...
Tenho
muito ainda que andar por
sobre pedras e espinhos, contudo
vivo a sonhar com
muita LUZ NO CAMINHO!
...
E, QUANDO AS LUZES SE APAGAM, NA
MERENCÓRIA INCERTEZA, VEJO
NAS SOMBRAS QUE VAGAM UM FUNERAL DE TRISTEZA!...
Que
as minhas horas ditosas não
as inveje ninguém: Embora
eu viva entre rosas, vivo
entre espinhos também!
Divórcio!
Nada mais és do
que bisonho atestado dos
que, com os próprios pés, só sabem dar passo errado!
Tome
o lenço. Enxuga o pranto... Ninguém
precisa saber que,
por amor, sofres tanto e
que eu te faço sofrer...
Nunca
foste definida, como
convém à mulher: És
como folha caída que
o vento leva onde quer...
Eu
compreendo a tua dor e
justifico os teus ais: –
Quem sofre assim por amor, certamente amou demais!
Na
porta dessa choupana –
sede do teu coração – todos
que batem se enganam: ela
é somente Ilusão!
As
trovas que inda componho, de
certo não valem nada... Mas
são a flor que meu sonho sempre
conserva orvalhada!
O
morrer na flor da idade é
deveras bem tristonho: embora
fique a Saudade, não
fica nada do Sonho!... QUANDO
A ESPERANÇA RENASCE A
Esperança é uma certeza: tudo,
em redor, ganha cores, e
até a própria Natureza vibra com mais esplendores!
Nas
fases boas da vida tudo
é riso, tudo é flor... O
mundo, qual paraíso, é todo feito de amor!
As
flores têm mais perfume, o
luar, estranho encanto, e
o coração, sem ciúme, não tem queixumes, nem pranto...
E
paira entre o Céu e a Terra, qual
promessa de Bonança, tranqüilíssima
atmosfera, quando
renasce a esperança! |