Membro Honorário

Hélio Fernandes "Perez Filho" - (in memoriam)


Hélio Fernandes, cujo pseudônimo literário era Perez Filho, nasceu aos 6 de junho de 1917, em Avanhandava, município vizinho à nossa Bauru.

Era casado com a senhora Vera Camargo Fernandes e seus filhos são: Maria Lúcia, Luiz Carlos, Francisco de Assis e Hélio Jr.

Foi professor de desenho no Colégio Estadual de Penápolis, cidade na qual fundou a  Escola de Desenho e Pintura.

Fez teatro amador, produzindo, dirigindo, interpretando e fazendo coreografia.

Como pintor, ficou muito conhecido em Bauru, pelos trabalhos realizados junto aos cinemas da cidade.

Recebeu, em 1960, a grande medalha de bronze no      V Salão de Belas Artes de Bauru. Também recebeu, em 1961, a medalha de prata no VI Salão de Belas Artes de Bauru.

No período de 1963 a 1967, foi professor de Desenho e Pintura na Escola de Belas Artes de nossa cidade.

Perez Filho escreveu vários contos e diversas peças teatrais.

Em 1968, foi o recebedor do Troféu de “Honra ao Mérito”, da Associação Santista de Belas Artes (ASBA).

Foi medalha de prata no I CONCURSO DE POESIAS JORNAL DA CIDADE DE BAURU, em promoção conjunta com o Lions Clube – Sul, desta cidade.

No campo da escultura, recebeu a medalha de bronze, concedida pelo Salão de Belas Artes de Bauru.

Em 1980, lançou o seu primeiro livro de poesias:  Há sempre uma razão... Participou de diversos recitais de poesias, com mostras de pinturas e esculturas nas cidades de Bauru, Bandeirantes, PR, Assis, SP e Penápolis, SP.

Em promoção da Delegacia Regional de Cultura de Bauru, recebeu o troféu de homenagem aos Artistas Plásticos de nossa cidade.

Em 1987, lançou seu segundo livro de poesias Os que vêm de longe e, em 1988, lançou Vidraça Antiga.

Por toda essa atividade artístico-literária, foi indicado para membro Honorário da Academia Bauruense de Letras, tendo tomado posse em sessão solene realizada em 04 de fevereiro de 1995.

 


 FLORES SEM ESPINHOS

 

Engalanei minh’alma de ilusões

E caminhei a minha juventude

Alimentando amores aos montões

Cantando a vida em toda plenitude.

 

Cobri os meus caminhos de canções,

Fiz poesia sem mágoa ou inquietude,

Fiz entender a muitos corações

Que a vida sempre agrada e não ilude.

 

Não quero estar no rol dos esquecidos,

Pois lembrarei meus dias bem vividos,

Quando enfeitei meu mundo de carinhos.

                            

Velho poeta, hoje sou feliz,

Graças a Deus vivendo como quis,

Deixando em versos, flores sem espinhos.

 


CAMINHOS CRUZADOS

 

 

Eu sempre tive medo de cruzar

Caminhos nunca antes percorridos,

Onde, talvez, pudesse encontrar

Tropeços mil, os mais desconhecidos.

Eu sempre tive medo de calar

A voz que lembra os dias bem vividos,

Quando eu gostava muito de cantar

versos alegres ou entristecidos.

Eu sempre tive medo de viver

Encurralado como um covarde

Que tem vergonha até de envelhecer.

Embora seja árdua a caminhada,

Eu amo a vida e disso faço alarde,

Pois sempre tive medo de ser nada.

 


SONHO DE AMOR

 

Vem dos teus olhos toda luz que eu tenho

Para guiar meus passos indecisos

E afugentar as sombras de precisos

E acovardados rumos de onde eu venho.

 

Vêm dos teus lábios todos os sorrisos

Que nos meus lábios ternos eu detenho

Para tornar menos pesado o lenho

Sobre meus ombros frágeis, imprecisos.

 

Vêm do teu corpo todos os cansaços

Perambulando a esmo nos teus braços

Prenunciando o adormecer risonho.

 

Vêm da tua voz os sons amortecidos

Dos musicais e líricos gemidos

Para enfeitar de amor este meu sonho.

 


JESUS

Tu vens de muito longe e és Jesus,

Que à Madalena, plena de pecado,

Levou o arrependimento, a luz

Do amor, da fé ao tê-la perdoado.

 

Tu vens de muito longe e és Jesus,

Aquele que de espinhos coroado

Levou aos ombros a pesada cruz

Onde ele foi por todos nós pregado.

 

Tu vens de muito longe e estás bem perto

Daquele que nas trevas, infeliz,

Não quis seguir contigo o rumo certo.

 

Tu vens de muito longe e és o Cristo,

A quem adoro e quem me faz feliz

Porque estás comigo e eu existo.

 


O POETA

 

Tu vens de muito longe e és o poeta,

Aquele que cantando a dor alheia

Esconde a sua e vai seguindo a meta

Onde a poesia vibra e se alteia.

 

Tu vens de muito longe e és o poeta

Aquele que no olhar ricocheteia

A luz da inspiração qual uma seta

Que atinge o alvo e fere e se incendeia.

 

Tu vens de muito longe e és o homem

Que perambula pela vida a esmo

Não caminhando as trevas que consomem.

Vivendo, embora, na alegria e na dor,

Perdido às vezes dentro de ti mesmo,

Tu vens de muito longe e és o amor.

 

 

 

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