Membro Efetivo
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O PATRONO |
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VIGÍLIA Altas
horas da noite, ventos
uivantes, desfolhantes, assobiando
canções agourentas: estou
à espreita. Nos
quintais da existência, movimento
de ratos comendo
ratos: estou
à espreita. Sons
estranhos, falsas
vozes ecoando pelos ares, ainda
a ventania desenfreada, inconseqüente: estou
à espreita ainda. A
ilusão dançando, exibindo o
umbigo, sereia
de soturno
mar: continuo
à espreita. Luzes,
sons, brilho
de espetáculos. Fico
com meu pequeno quadro: à
sua cabeceira, à
espreita. ANTROPOFAGIA A
tevê já te viu, do
outro lado eu te vejo. Tua
pele, teu corpo, teu
jeito, teu gesto, não
viu tua alma, tua calma, só
teu close de fêmea, de gata, atraindo
teu macho, teu gato. A
tevê não te viu do
outro lado da cena. Te
mostrou, te
esgotou, como
a tantas mulheres; te
consumiu, te devorou. Não
tens mais alma, mais calma, és
apenas um grito, um conflito, não
tens mais o gemido que
arranhou meu coração. DESTEMOR Não
sei se amanhã haverá sol para
ver claramente que há esperança, não
sei se o vento vai passar enfurecido ameaçando
meu veleiro de incertezas em alto mar, não
sei se violentas ondas virão ao meu encontro para
soçobrar-me e lançar-me de
encontro às rochas da desilusão; meu
peito vai com o vento conduzindo minha
nau de amor e liberdade. Aos
censores convido-os a deixar suas
poltronas de segurança e timidez, seu
status de cobiça e ambição, convido-os
a deixar a vida percorrer a vida, a
deixar o medo da desilusão, convido-os
a procurar a aventura da felicidade, a
procurar depois da noite a alvorada, que
só se encontra nos olhos da mulher amada.
BAURU
DO NOVO MILÊNIO Em
meus sonhos pude te ver, Bauru
do novo milênio, teus
sonhos de cidade lunar; não
a lunar das crateras, dos
montes, das tempestades, do
dragão de papelão, língua de fogo e
de maldades, não
a Lua de estranhos visitantes treinados
para saltos experimentais. A
cidade do meu futuroscópio cultiva
plantas e planos futuristas, onde
se plantam os mais puros ideais, lá
existem vales onde vicejam as
ambições não imorais, de
mansos rios, sem corredeiras; não
a exausta selenópole de dias quentes, o
clima é temperado, o ar não rarefeito, ar
completo, pra efeito equilibrado. Vejo-te
soprada por brisas suaves e
ventos vindos de todas as vias, de
vias claras retas e visíveis, urbe
lunar pelo “Custos Vigilat” guiada, nunca
mais por mau destino deslumbrada. Vejo-te
agora branca Lua nova, de
claríssimo e novo luar, feito
namorada só para te amar. A BELA NA VIDA
ela gira na roda da vida na moda da roda no mito da moda a bela girando ferindo correndo sangrando bela fera partindo sofrendo a bela no mito da roda na roda da moda no mito da vida
ela
gira
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