Membro Efetivo


Caleb Patrício de Barros
Cadeira -  22
Patrono: Ronaldo Benevenuto

O PATRONO


VIGÍLIA

 

Altas horas da noite,

ventos uivantes, desfolhantes,

assobiando canções agourentas:

estou à espreita.

Nos quintais da existência,

movimento de ratos

comendo ratos:

estou à espreita.

Sons estranhos,

falsas vozes ecoando pelos ares,

ainda a ventania desenfreada,

inconseqüente:

estou à espreita ainda.

A ilusão dançando,

exibindo

             o umbigo,

sereia de

             soturno mar:

continuo à espreita.

Luzes, sons,

brilho de espetáculos.

Fico com meu pequeno quadro:

à sua cabeceira,

             à espreita.


ANTROPOFAGIA

 

A tevê já te viu,

do outro lado eu te vejo.

Tua pele, teu corpo,

teu jeito, teu gesto,

não viu tua alma, tua calma,

só teu close de fêmea, de gata,

atraindo teu macho, teu gato.

 

A tevê não te viu

do outro lado da cena.

Te mostrou,

te esgotou,

como a tantas mulheres;

te consumiu, te devorou.

Não tens mais alma, mais calma,

és apenas um grito, um conflito,

não tens mais o gemido

que arranhou meu coração.

  


DESTEMOR

 

Não sei se amanhã haverá sol

para ver claramente que há esperança,

não sei se o vento vai passar enfurecido

ameaçando meu veleiro de incertezas em alto mar,

não sei se violentas ondas virão ao meu encontro

para soçobrar-me e lançar-me

de encontro às rochas da desilusão;

meu peito vai com o vento conduzindo

minha nau de amor e liberdade.

Aos censores convido-os a deixar

suas poltronas de segurança e timidez,

seu status de cobiça e ambição,

convido-os a deixar a vida percorrer a vida,

a deixar o medo da desilusão,

convido-os a procurar a aventura da felicidade,

a procurar depois da noite a alvorada,

que só se encontra nos olhos da mulher amada.

 


 BAURU DO NOVO MILÊNIO

 

Em meus sonhos pude te ver,

Bauru do novo milênio,

teus sonhos de cidade lunar;

não a lunar das crateras,

dos montes, das tempestades,

do dragão de papelão, língua de fogo

e de maldades,

não a Lua de estranhos visitantes

treinados para saltos experimentais.

 

A cidade do meu futuroscópio

cultiva plantas e planos futuristas,

onde se plantam os mais puros ideais,

lá existem vales onde vicejam

as ambições não imorais,

de mansos rios, sem corredeiras;

não a exausta selenópole de dias quentes,

o clima é temperado, o ar não rarefeito,

ar completo, pra efeito equilibrado.

Vejo-te soprada por brisas suaves

e ventos vindos de todas as vias,

de vias claras retas e visíveis,

urbe lunar pelo “Custos Vigilat” guiada,

nunca mais por mau destino deslumbrada.

Vejo-te agora branca Lua nova,

de claríssimo e novo luar,

feito namorada só para te amar.

 


A BELA NA VIDA

           

                        ela            gira

                 na roda              da vida

             na moda                       da roda

         no mito                                 da moda

     a bela                                          girando

   ferindo                                           correndo

sangrando        bela               fera          partindo

   sofrendo                                           a bela

     no mito                                       da roda

        na roda                                da moda

           no mito                          da vida

                   ela                     gira

 

 

<< voltar