Membro Efetivo


Nílson Ferreira Costa
Cadeira -  16
Patrono: Helvécio Barros

OBRAS - SELECIONADAS


UM REPENSAR SOBRE O CALVÁRIO

 

 

Por ocasião da solenidade de comemoração do 20º aniversário da EMEI “Francisco Gabriele Neto”, no dia 17 de março, recordei que, a propósito de um grave acidente, ocorrido há duas décadas, enviei a seguinte carta ao Dr. Nicola Gabriele:

 

Caro amigo Nicola:

 

Imagino o que vai em seu íntimo, nesta hora, e sei que nenhuma palavra teria o dom de consolá-lo e a sua esposa.  Mas encontrei num livro das Edições Paulinas alguns trechos que lhe peço que leia e medite.  Talvez valham para fortalecer-lhe o espírito.

                            

“Saí de minha casa

e buscando ao redor

encontrei um homem

no terror da Crucifixão.

“Deixa que eu te tire da cruz”, lhe disse.

E procurei arrancar os pregos de seus pés.

Mas ele me respondeu:

“Deixa-me onde estou,

pois que não descerei da cruz

até o dia em que todos os homens,

todas as mulheres, todas as crianças,

se unirem todos juntos para me

despregarem”.

Disse-lhe então:

“Como poderei suportar teu lamento?

Que posso fazer por ti?”

E ele respondeu-me:

“Vai pelo mundo afora

e diz a todos que encotrares

que há um Homem pregado na Cruz”.

 

Alguém disse que sobre o Calvário não se raciocina. Contempla-se. E aprende. O Cristo do alto da cruz anuncia-nos em silêncio o que Deus é e o que Deus faz.

O Calvário é a suprema manifestação de Deus. A cruz como a mais elevada cátedra que possa existir no mundo.  Quando nos convencermos de que sofrer é graça, é a “grande bondade”, é uma honra, aí então nos convenceremos de que o único lugar certo, o único lugar conveniente para nós, é precisamente o Calvário.

Existem momentos, em nossa vida, em que tudo parece desabar. É como um desmoronamento colossal que investe e arrasta tudo, sem respeitar nada...

Agarramo-nos a uma coluna, e ela nos é arrastada para longe.  Apoiamo-nos a uma solidíssima parede, e ela acaba caindo-nos em cima.

Completa escuridão.  Até mesmo as certezas mais sólidas sofrem um ataque de dúvida.  Nem sequer uma nesga de luz.

Vemo-nos obrigados a constatar, de maneira brutal, a fragilidade das coisas que, pouco antes, ofereciam a máxima garantia de solidez, a inutilidade de outras coisas que, pouco antes, julgávamos quase indispensáveis.

             Tudo é posto em discussão. Um tremendo vazio. Um desgosto que atinge as raias do desespero.  O que se salva, o que nos salva nesse apocalipse pessoal? Uma única realidade: a cruz. O nosso sofrimento.

A cruz “agüenta” sempre.  E também os pregos “agüentam”.  Tudo é devastado, varrido para longe.  Mas a cruz “agüenta”.  Se tivermos consentido em deitar em cima dela, deixando-nos pregar, poderemos resistir a todos os tufões de nosso sofrimento.

Podemos tombar tantas certezas, ruir tantas convicções. Fica de pé uma única certeza: a certeza de nosso sofrimento.

Unicamente a dor pertence-nos verdadeiramente. Somente a dor é coisa nossa da maneira mais absoluta. E, por conseguinte, somente quando presenteamos a Deus com o nosso sofrimento, podemos dizer de ter dado de presente algo verdadeiramente nosso.

Caro Nicola: muitos dos seus amigos estão comungando de sua dor, da aflição de sua esposa.  Mas talvez estejamos sendo egoístas, lamentando com a nossa dor, com o nosso desespero, o eventual chamamento de um bom menino para o Reino de Deus. Consola-nos, nesta quase repetição do Calvário, a certeza de que Francisquinho poderá deixar os seus familiares, mas o fa-lo-á para ingressar num mundo despido da maldade do nosso e consentâneo com o seu espírito tranqüilo e boníssimo.

No momento mais difícil do seu transe, caro Nicola, faça a Deus esta prece:

 

“Não obstante minhas fraquezas, Senhor, ainda tenho

coragem para vos pedir uma graça essencial: fazei-me

compreender que a cruz é graça. Dai-me a compreensão

que, na vida, tudo é graça, porque tudo é sofrimento.”

 


TROVAS

BAURU CENTENÁRIA

 

Bauru festeja cem anos

incontida vibração

superou os desenganos

para o orgulho da nação.

 

O AMOR

 

Enquanto perdura o amor,

só carinho, só paixão.

Sai de perto, meu senhor,

quando vem o palavrão.

 

A POLÍTICA

 

A eleição, quando aponta,

faz do vilão um herói;

basta dizer a “seo” Zonta:

Pegue: cá está sua Caloi...

 

Nicéa fala que Pitta

fez do cargo cavação,

mas esconde, não recita,

que comeu desse feijão!

 

 

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