Membro Efetivo


Ercy Maria Marques de faria

Cadeira - 13

Patrono: Accácio Pereira Leite

OBRAS - SELECIONADAS


         

AMANHÃS DE UM POETA

 

Era uma vez, um menino

que gostava do rio

de águas serenas

que arrastam pedaços

de sonhos azuis,

batendo de encontro

às pedras que dormem

por anos a fio

no mesmo lugar!...

Era uma vez, um menino

de rosto bonito

e de olhos serenos,

lembrando a quietude

das águas do rio!...

Era uma vez, um menino

a traçar paralelos

entre o rio que passa

e a vida a correr:

– percalços na lida,

estafante amanhã;

– e do rio, os amanhãs

cada vez mais iguais!...

Era uma vez, um menino

levando um poeta

à fonte fecunda

de inspiração!...

Era uma vez, um menino

chamado...

VOCÊ !


PAZ

 

Procuro a paz por todos os caminhos,

cravou-me a vida inúmeros espinhos

na alma triste que vagueia ao léu;

Procuro a paz e em meio à caminhada

às vezes paro... sinto-me cansada,

mágoa e incerteza se misturam em mim!

Procuro a paz e o meu olhar aflito

se perde ao longe, transpõe o infinito,

na busca inútil, desesperançosa!

Procuro a paz, meu pensamento voa,

vence distâncias, perambula à toa,

sem conseguir trazer-me o que preciso!

Procuro a paz e o coração teimando,

insiste, achá-la, mas, de quando em quando

posso sentir bater seu insucesso!

Procuro a paz; é grande o meu tormento,

todo o meu ser sucumbe ao desalento,

que anda comigo, lado a lado, sempre!...

Procuro a paz, mas como hei de encontrá-la,

se a vida insiste em nunca me mostrá-la,

fazendo-nos estranhas simplesmente?

Procuro a paz , mas encontrá-la, onde,

se ela parece que de mim se esconde

e eu nunca sei sequer onde buscá-la?

Procuro a paz, derrota-me o cansaço...

e eu adormeço... mas por curto espaço...

vem despertar-me um rogo de inocência:

o anjo loiro, do bercinho ao lado,

num choro intenso, busca inconsolado,

a paz que encontra em meio aos braços meus!

Procuro a paz! Mostrou-me alguém agora

num gesto puro, onde encontrá-la, embora

nunca a tivesse procurado lá!

Procuro a paz, essa paz infinita

que reconforta toda a alma aflita

e só se encontra entre mais fortes braços!

..................................................................

Busquei-a tanto, indefinidamente,

para encontrá-la encantadoramente

no aconchego dos braços de Deus!

 


 

AO TEU REGRESSO

 

Quanto tempo dura a tua ausência!?...

Intermináveis, incontáveis dias

de busca inútil,

de procura infértil,

de escuridão,

de espera,

de melancolia!

Te desejei!...

Muito...

Ardentemente...

Como ardentemente vens beijar-me o rosto,

que, quantas vezes procuro esconder-te!

Ao ver-te subtraído do meu mundo

multiplicaram-se logo as minhas mágoas!

Faltou-me o teu calor imprescindível,

essência soberana dos meus versos...

Mas eis-me à tua espera... És meu alento

e mais que tudo,

o facho resplandente

a guiar-me sempre os passos tão cansados!

Te busquei tanto!...

Perdida e inutilmente!

E eis-me prostrada num marasmo infindo,

como infinda parece ser a tua ausência!...

E o meu olhar perdido, muitas vezes

supõe rever-te ao longe...

muito além deste horizonte meu, de vestes lúgubres!

Hás de voltar, tão logo, isto é preciso!

E, ao aguardar-te me perco em conjecturas:

se com carinho aqueces o meu corpo,

com igual carinho, oh, Sol,

hás de aquecer-me a alma

envolta em gélida saudade!

 


 

RECONSTRUINDO

 

Fragmentos de ilusões fui recolhendo,

restos esparsos de emoções sentidas,

que pouco a pouco acabam se perdendo

na trajetória atroz de nossas vidas...

 

Acomodei-os bem, dentro do peito;

juntei-os todos – todos eu suponho!

Talvez agora eu seja mais perfeito

na tentativa de moldar meu sonho!

Quero o meu sonho inteiro, inquebrantável,

puro, real e de emoções infindas,

num colorido que já não se vê...

Quero o meu sonho eterno, interminável,

todo moldado de emoções mais lindas,

para vivê-lo junto com Você!

 


 

SEMPRE
               

Não contei ao travesseiro

nada além do que já soubesse...

Não segredei ao teu retrato à cabeceira,

nada além do que já houvesse ele escutado...

Não proferi a minha prece

diferente da maneira habitual...

Apenas

enxuguei mais uma lágrima

e coloquei,

junto ao teu retrato,

entre as flores amareladas que me deste,

a rosa branca, pura e perfumada

da saudade

que deixaste no caminho!

 


 

TROVAS PREMIADAS

 

Dizendo “adeus”, foste embora,

levando em tua bagagem

meu coração, que até agora

não regressou da viagem!

(II Concurso Nacional de Trovas de Belém, PA, 1986)

 

Foi tão belo, foi tão puro

nosso amor e, nesta idade,

eu me perco, se o procuro

no horizonte da saudade!

(1º Concurso anual de Trovas Cidade Belo Horizonte 1987, Belo Horizonte, MG)

 

Na hora da despedida,

entre carícias suplica:

– Não saias da minha vida!

Esquece, perdoa e... fica!

(IX Jogos Florais de  Bandeirantes, PR, 1992)

 

Apesar desta certeza

de que somos tão iguais,

alma gêmea, que tristeza!...

Chegaste tarde demais!...

              (II Concurso Nacional de Trovas de Valença, RJ, 1993)


Pés descalços... mãos vazias...

E as calçadas da avenida

mais parecem galerias

de retratos desta vida!

(XXXIV Jogos Florais de Nova Friburgo, RJ, 1993)

 

Barrei a tua saída

após ouvir-te afirmar

que entraste na minha vida

na certeza de ficar!

            (Concurso Internacional de Trovas do Elos Clube de São Paulo, SP, 1994)

 

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