Membro Efetivo
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OBRAS - SELECIONADAS |
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ORAÇÃO
AO MESTRE Mestre, Apóstolo,
pregador, Farol,
luz, sacerdote, Sol,
lua, luz de vela, Timoneiro, Nós
te agradecemos A
bússola, O
remo, O
barco, O
rio, A
indicação da Porta, As
letras, A
lua conquistada! Mestre! Ainda
com gosto do leite materno na boca, Nos
embalaste no berço dos teus conhecimentos Apontando-nos
o Caminho. A
criança e o jovem amadurecem no adulto Crescido
à luz dos teus ensinamentos. Descemos
o Monte Ararat, Pousamos
na lua, Dividimos
o mar, Conquistamos
o átomo, Porque
nos conquistaste. Somos
médicos, engenheiros, cientistas, Somos
advogados, empresários, jornalistas, Somos
poetas, escritores, lavradores, Governadores,
mecânicos, artistas, Somos
operários, comerciários, bancários, Homens
do mar, Homens
do ar, Pais
e filhos, gerações, Construindo
a família, Construindo
o mundo! Ainda
somos as crianças Com
gosto do leite materno em nossas bocas Gozando
as “bem-aventuranças” Que
nos transmitiste. A
criança e o homem Que
existem em cada um de nós Te
reverenciam! Obrigado,
Mestre, Alavanca Que
nos permitiu ser o que somos: Gente!
HOJE
ACORDEI POETA Hoje
acordei poeta Com
as águas da torneira Me
entoando melodias, Com
o sol me abraçando, Aquecendo
o corpo inteiro Ao
abrir minhas janelas. Acordei
poeta Ouvindo
as samambaias Sussurrando
verde para a vida, No
canto da passarada Me
convidando a ser poeta. Rosas
vermelhas, Brancas,
amarelas, Rosas
cor de rosa, Poemas
na manhã de esperanças. Ternura
da brisa envolvendo folhagens, Segredando-lhes
cálidos cantos de amor. Cheiro
gostoso do café quentinho, Do
ron-rom do carro do vizinho ao lado Esquentando
o motor, Ritmo
da vassoura da vizinha da frente Dançando
na calçada. Por
tudo isso, mais o sol, mais o céu. Mais
a alegria de viver, de amar, Hoje
acordei poeta. Na
minha primeira conversa do dia com Deus, No
agradecimento pelo ontem, Por
agora, pela nova manhã, Por
eu ter acordado poeta. No
meu mundo de paz Sem
fome, sem sangue, Sem
trancas nas portas, Sem
desigualdades, Sem
prantos e desamor, Hoje
acordei poeta! Pena
que muita gente, Pena
que a maioria Nunca
acordou poeta... SOLUÇOS
NA MINHA RUA Morreu
uma criança na minha rua, Um
quarteirão antes dos meus poemas. Mal
a conheci. Nunca
reservei tempo para as crianças. Às
vezes cruzava suas cirandas, Desenhando
os sonhos que não viveria. Flores,
mãos úmidas se tocando, Olhares
vazios nas perguntas caladas, Soluços
doloridos do adeus, O
sol acendendo caminhos invisíveis. Nuvens
choraram as águas da saudade, A
chuva ecoou versos na Terra Que
se abriu para beber A
criança que morreu na minha rua. Não
me perguntem se chorei. Perguntem-me,
apenas, Se
entendi. Porque
uma criança morreu na minha rua, Um quarteirão antes dos meus poemas... DELÍRIO
E AGONIA Envergando
a armadura da esperança, Galopei
o corcel da fantasia. A
fibra e a força na ponta da lança, A
ânsia da conquista em euforia. Com
o sol escrevi minha aliança, Com
as estrelas, minha galhardia. E,
na incontida busca da bonança, Quantas
vezes minh’alma se feria. Milhões
de gargalhadas me agredindo, Mãos
frias invisíveis me ferindo, Todo
o meu corpo se esvaindo em sangue. Eu
no pó, eu semimorto, eu exangue... E
ao meu triste delírio e agonia, A
platéia espumava de alegria!
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