Membro Efetivo
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OBRAS - SELECIONADAS |
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UMA
ROSA PERFEITA (Lembrando
Dorothy Parker) Era
uma perfeita rosa, então
a Rosa-Maria, de
ternura perfumosa, Rosa-Mulher,
quem diria? Escondida
num canteiro, junto
a tantas, não sei. A
brisa que vem do outeiro não
a desfolhará, pensei. Uma
rosa assim perfeita, muito
de flor e mulher, só
o amor a enfeita quando
a beleza requer... Rosa
pois é estribilho para
compor essa trova, e
do sol recebe o brilho, pois
do orvalho que a renova.
MATER
GENEROSA – A BAHIA Ah,
Bahia, vê-la de novo, é
como se fosse amá-la pela primeira vez: Tanta
alegria. Tanto
calor. Tanto
amor. Salvador
é uma fada. Traz-nos
o milagre de tudo o que tocamos: Ouro. Ouro
das igrejas. Ouro
das tradições. Ouro
dos sentimentos generosos. Sou
um filho que volta, depois
de tanto tempo, de
tantas lutas. Ainda
há pouco era a Bahia de Chiachio in superado. Hélio
Sodré, tão poeta quanto médico. Ramaiana
De Chevalier – emprestado da Amazônia
– “mundo
geogênico em perene gestação”. Dos
Mangabeiras, quanta riqueza cívica, sabedoria,
nessas vidas. De
Nestor Duarte – cepa de talento. Prado
Valadares a esculpir nas letras baianas páginas
lapidadas. Hoje,
progresso e quanto progresso que
a gente pensa: A
tradição da Bahia morreu?
Não.
É uma rosa viva de
tronco anoso.
Respeitável. Tradicionalista. Na
minha Escola – ao Terreiro de Jesus, o
eco de aulas magníficas: Estácio
de Lima – polígrafo, que
sempre nos trazia Pedro Rego, Arestides
Novis, recitando Musset. Fernando
S. Paulo – linha dura, mas de talentos... Leôncio
Pinto – o paraninfo, dizendo
tudo sobre nada. Bahia,
Bahia, meu chão, minha
gleba, minha
gente.
MATER
GENEROSA.
AS
SETE PORTAS DA BAHIA (Da
inspiração de Carybé, o ilustrador) Quem
for à Bahia, Quem
a vir, Quem
a escutar, Quem
amar seus segredos, Suas
“negas”, suas “brancas”, É
Salvador, de repente, Esta
terra, esta gente, Seus
amores, o céu, o mar, É
a Bahia enfim, De
encontro marcado, Do
presente com o passado, Mãos
dadas pelo futuro. De
oxum para as coisas de amor, De
Oxalá (Senhor do Bonfim) É
o velho “Charriot” que descamba, “Inclinado”,
de cabeça para baixo, Num
golpe de capoeira, À
pastinha, o mestre Bimba ensinando A
velha arte de angola. “E
a paisagem, e a poesia De
quem é, camarada? Ê,
ê, camarada. É
de Carybé, camarada”... Do
erótico Jorge Amado? Do
cancioneiro Caymmi? Pelas
“SETE PORTAS” vamos entrar E
vamos ver as “365 igrejas Que
a Bahia tem”. A
Bahia, ê, ê, camarada, É
tua também...
Péricles
Rocha (Dedico
à lembrança de meu pai, lavrador honrado, e
a todos os outros que vivem da terra.) Um
bocado de fartura num chão plantado, Revolvido
o eito ao enxadão Que
mergulha na terra úmida, Que
não se escorraça, Que
não chora, Que
não geme. Ela
está ali como coisa viva Que
não se perde. Dá-se
com ternura. Há
um idílio quieto Entre
o homem e a gleba. Ela
lhe abre o seio Para
aceitar a semente úmida está para o ato Que
faz nascer. (Não
se sabe de onde vem esse
impulso que, telúrico, se parece vivo) As
enxadas lhe sacodem as entranhas. A
semente se parte – é fecundidade. Não
chora como o filho no início de vida, Mas
cresce e revigora-se Nos
fluidos se compõe E
logo se recompõe em força De
verdade que é como o próprio sangue. Se
se parte, vitalidade escoa: É
seiva, esse fluxo de alvoroço Que
se entremostra vivo E
pronto se fortifica. Adiante
anima o braço do peão –
Sentinela indormida do plantio. A
terra convoca-o para dizer-lhe algo, Como
uma fala de ternura, e estremece. O
solo não é inércia. Veio
de longe, depois de muito tempo, De
Deus nas suas cogitações No
êxtase do gênesis. Antes
incriado e agora criatura Para
que se lhe toque com as mãos E
a faça ter sentido – logo, fecundidade. Como
o amor que cria e no tempo se alonga. Romance
que Deus criou e “viu que era bom.” A
graça nô-lo presenteou. CANTO
DE LUCAS Sim,
era médico, o pressuposto porém
era a Fé. Pregação
incisiva, constante. Fê-la
com sabedoria de grego em
ponto alto. Amigo
de Paulo, companheiro, até mesmo curador. O
iatros na língua possuída. Figura
convincente de condutor das
gentes, nas coisas do Cristo. (Jesus
em pessoa não conhecera.) No
entanto a doutrina em postura maior, sim. Atendimento
com ternura, humildade no
socorro da Arte. A
medicina teria um cunho de santidade. Bom
que ela siga-a para sempre. Daí
sua sagração e consagração. Nossa
convicção-Lucas (Lucano). Nosso
comum e veraz respeito: Patrono! Terceiro
evangelista seguramente Em
sua Arte a sofreguidão, a competência. Caritas,
em suma. Pregador
emérito em três línguas. A
todos para sedare dolorem O
Homem de Macedônia tido e havido Ali
estivera e conhecera a Lídia nos
batismos incessantes. Sua
Arte e quantos – Corpus
et Anima: quem sabe vem
daí a medicina psicossomática, a
gosto Jota Delay – instrutor seguro. Fora
possivelmente médico de família. Andejo
sem cansaço, sem bordão. Peregrino
na crença. A cura pelo espírito. Arte
e quantíssima Fé. Na
medicina do corpo a terapia vária. Lição
que ficou para todos os tempos... O
buril e o burel. A ciência e o respeito. Permanência
longeva. In Saint Lukes service...
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