Membro Efetivo
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OBRAS - SELECIONADAS |
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SÁBIO Céu
limpo, sem sombras de vento. Para
se esconder da piscadeira rajada, olho
na janela redonda. Vista
mentalmente, como foi, a crina do sábio ilustrando
a abóbada celeste. Pedante
ou maneiro, encontrar o alívio após
choramingar para ver o perfeito... As
plenitudes das curvas do seu lado esquerdo. Fazer
par durante o curso da estrada, sem
molhar a metade do alagado..., significa
a seca onde podemos dançar. Seja
como for, não nos dá nenhuma escolha... A
crina, o sábio, e a outra parte bem bolada que
dedilha seu corpo por inteiro, nunca
mostra o que sai de suas mãos.
PELAS
RUAS DE SÃO PAULO Cor
pálida. Olhos piscadores,
ofuscados
pela velhice bolorenta. Nos
cartazes que rejeita com verbos floreados, uma
luta lenta. Nas
palavras doces, os
lábios envenenados. Massa
flutuante, tingiu de preto a
beterraba sibilante. Estrutura
caluda. Indício ditatorial. Galhofa,
diminui. Embarca
no canal triangular, patina na desenvoltura,
enrosca no final de cada dia, desembarca,
entorta e chia. Bordão
desafinado. Blasfêmias
em tons compassados –
Queima mulambos há cerca de mil anos Congela
a opinião, finta a discussão, empilha
desarranjos. –
Perde o balanço para anjos e marmanjos. É
de contramão: entra
no canal de lado sem bordão. Patina
a três por quatro, sem trato e afinação. Sofre,
empilha, precisa. Pega
o analista, percorre uma love story, dá
meia volta – o primeiro porre. Com
a água benta se resfria. Falida
se lamenta: foi uma ducha fria.
IN
MEMORIAM À SEMPRE-VIVA VIDA O
mundo é um só. Tão claro, que mesmo os obtusos A
cada fim de dia, ele nos oferece várias faces para
o relacionamento diário – Uma indecisão seria fatal. Comparativo
e desgastado, substancial ou indulgente, cada
um tem sua estória. Ser cuidadoso é o que nos resta. E
se lhe é claro ou não, muitas frustrações e
sonhos não realizados, é que levam pessoas ao extremo e
ao absurdo. Por isso nunca desobedeceriam sua idéia, mesmo estando próximos
de sua própria marcação. Não
faço caso disso, pode ser a primeira informação. –
E a Segunda? Nada está se desenvolvendo como
deve, ou se desenvolve? Nós é que não sabemos acompanhar e
aceitar, o desencanto e o estrago, que sem
dúvida está exposto em
cada esquina, em cada movimento, e em cada gesto. Continuar
a se comover com mentiras, e se desencaminhar
com idéias de revistas, ou viver em paz – não obstante ao que
possa parecer, ou mesmo causar tumulto? A
vida é a arte de se conduzir negócios. ROSAS
VERMELHAS Não
penso em nada. Não
vejo a hora, nem o tempo –
como passa. Cheguei
a vomitar rosas vermelhas mas
não sei se vieram as folhas, nem se eram verdes. Não
sei quantos anos faz, ou quanto fez. Só
sei é que todos já estão falando inglês..., –
e eu não quero nada, não preciso de nada. Mas
eles continuam falando – e eu nem sei em que mês estamos,
e quando foi que começaram a falar. Só
sei é que continuo a vomitar. E
não são, mais, rosas vermelhas..., são
verdades e meias. PRETÉRITO
PERFEITO Dois
dias, e
foi armada a confusão. Nem
idéias estúpidas se moveram. Nem
as fortes tensões interromperam um
só pensamento. Nem
as explosões salvaram o mundo. Só
a vida justifica o fim de todos vocês. Se
nada se entende..., –
o amor não vem de forma fácil! PRECIOSIDADE Liberdade
não rima. O
que cabe a mim dizer, não
posso porque é a pura verdade. Liberdade
não vinga. Não
me faz acreditar que se pode esconder
um fio de linha. Liberdade
é um estado de graça, que
depende do passado – da temperatura em
que mergulhamos no lago dourado. Valha-me
sonho, uma
preciosidade... –
Liberdade.
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