Membro Efetivo


Wanderley José Francisco
Cadeira -  02
Patrono: José Ap. Guedes de Azevedo

OBRAS - SELECIONADAS


ATUALIDADE

 

Fome da Vida,

Vida de Fome;

Fome de saúde,

Morte!

Morte da moradia

Moradia sem gente,

Povo sem casa,

Barraco sem morador.

Onde está o morador?

Morreu de desidratação!

Onde está o arroz e feijão?

Apodreceu por culpa dos grandões!

O menino falou palavrão,

É falta de educação!

O menino quer ser soldado,

O soldado mata o menino,

O menino mata gente,

Gente mata o soldado!

O bandido mata o soldado!

Soldado mata bandido.

Soldado mata preso,

Preso mata soldado.

Índio mata garimpeiro,

Garimpeiro mata índio.

Onde está o azul do céu?

Menino comeu, morreu.

Onde está o verde dos rios?

Povo bebeu, morreu.

Onde está o verde das florestas?

Índio comeu, morreu.

Onde está a terra?

Povo comeu, morreu.

Onde está o civismo?

Político comeu.

Onde está o Político?

Está vivo comendo na corrupção.

Onde está Jesus?

Morreu na cruz,

Renasceu dos mortos,

Está vivo nas aspirações do povo,

Para libertá-lo das agruras e aflições.

 


  

FALE-ME DE DEUS

 

Falar de Deus, por quê? Não o vejo!

Fale-me de Deus,

As árvores floresceram

E deram seus frutos.

Fale-me de Deus,

As águas dos rios tornaram-se límpidas e piscosas.

Fale-me de Deus,

As estrelas tornaram-se mais cintilantes e brilhantes.

Fale-me de Deus,

A luz tornou-se mais intensa produzindo mais claridade.

Fale-me de Deus,

O sol ficou mais intenso e radioso.

Fale-me de Deus,

O homem amou mais seu irmão – teve-se a paz – e maior felicidade.

Fale-me de Deus,

O homem caiu genuflexo e perguntou:

“Senhor estás agora e aqui presente!”

Uma pequenina gota de orvalho caiu em seu rosto,

Misturando-se com suas lágrimas de agradecimento.

 


 

EU SOU... NÃO FUI

 

Nós sempre estaremos vivos se formos gente.

Nós sempre viveremos para os outros

se deixarmos algo de bom e exemplar.

Nós viveremos eternamente

se soubermos viver e conviver com os nossos  irmãos.

Viver e conviver... palavras fáceis,

mas difíceis de acontecer no nosso dia-a-dia.

Vivemos num mundo gélido e pedregoso,

de turbilhões, anseios destrutivos e negativos.

Vivemos em hora de tormenta, porque muitos não querem

conviver e participar.

Vivemos horas de angústia por vermos nosso irmão querendo

nos fazer de escada, nos pisando para subir na vida.

Não se lhe importa o grito de dor do que ficou do massacrado;

não se importa a esteira de desespero deixada atrás!

Importa-se em vencer!

Como foi bom, amigo Rasi, ter vivido, convivido e

participado de muitas horas contigo:

foi no trabalho para os menos favorecidos;

foi nas horas após o trabalho quando podíamos conversar;

foi nas viagens falando de literatura;

foi na sua casa falando da vida de hoje e de amanhã;

foi na minha falando da existência da alma;

foi na discussão das previsões de Nostradamus;

foi na minha mesa de cear, experimentando uma simples

sopa de legumes que, como você dizia, “a sopa da mãe”;

foi tão gostoso sentir um aperto dentro do coração,

porque poucos poderão fazer tanto e mexer tanto em nosso ser como você o fez;

foi, e é tão difícil aceitar não o ver, falando,

sorrindo e procurando novos caminhos...

Caminhos que todos nós um dia iremos percorrer.

Sim, talvez foi maravilhoso para você ter sumido no

meio da natureza que tanto amou.

Sim, foi para nós uma grande dádiva tê-lo conhecido e chamá-lo de irmão camarada!

Sim, foi o grande marco a tua amizade.

Enfim, meu amigo e irmão Octávio Rasi,

foi um verdadeiro ser humano com fibra e coragem;

foi o amor que falta aos demais irmãos humanos;

foi tão belo e transcendental ver sua fisionomia

se irradiar e transmudar quando estavas com minha família que já era a sua;

foi tão gostoso e profundo saber que você foi gente;

foi acima de tudo um irmão.

Foi tão gostoso ouvir, brigar pela ecologia, pelos

rios poluídos, pela preservação da natureza;

foi tão gostoso ver você falar de seus pinheiros que cresciam vindos de Curitiba;

foi tão gostoso ver sua alegria na alegria do mais

necessitado ao receber moradia, um lar;

foi tão gostoso saber que deixou em suas palavras o exemplo de amor;

foi tão gostoso sentir que, enquanto escrevo, de meus olhos vertem lágrimas;

irmãos humanos, seu exemplo para nós será a esperança para muitos.

Foi Rasi um verdadeiro homem e amigo,

que no infinito transcendental e incomensurável do universo

existam e surjam outros “Octávio Rasi” para um mundo melhor.

Enfim, foi, nos deixando amargurado e saudoso,

mas esperançoso que está em vida melhor.

Veio da Natureza e foi na natureza teu pranto de morte;

na corredeira do rio, na mata virgem, você foi e seu olhar esgazeado de morte foi feliz,

porque sumiu com aquilo que amava.

Viverás nas árvores frondosas, nos céus despoluídos,

nas águas límpidas dos rios e no ar puro viverás eternamente

na natureza, com a natureza,

porque foi-se materialmente.

Mas deixou em cada coisa bela tudo de você.

 

 

<< voltar