Membros Correspondentes

Ruth de Souza Lopes - Agudos/SP  


Ruth de Souza Lopes nasceu em Agudos no dia 9 de fevereiro de 1930. É viúva do Dr. Manoel Lopes e tem dez filhos. Lecionou Português e Latim no Ginásio Estadual de Vera Cruz e foi professora da escola SENAC de Marília. Atualmente cursa Inglês e Espanhol na USC (Universidade da 3ª Idade) e Curso de Informática.

Tem publicado o livro de poesias Acalantos, prefaciado pelo poeta bauruense Olegário Bastos, com capa da pintora Lairana. Publicou crônicas e poemas em jornais com o pseudônimo Salomé.

  


AINDA VOU TE ACHAR

 

 

O rio

caminhando,

se espreguiçando

a dançar...

 

Dançando,

caindo,

de leve

por entre pedras,

ao passar,

lança brilhos e sons,

cantigas dos sonhos,

a me deslumbrar...

Ah! Não quero,

acordar...

 

Meu sonho é festeiro...

É calmo,

ligeiro...

Põe minha alma

a dançar...

 

E... na dança da alma,

ainda vou

te achar...

 


SE VOCÊ VIESSE

 

 

Ah! Se Você viesse,

eu queria tanto

que Você quisesse,

com as teias,

das velhas rendas

tecer poemas...

 

Das flores, festas...

Das estrelas,

esteiras de luz

a nos levar...

 

No luar,

a desculpa

para tanto amar...

 

Então

teríamos

o anoitecer mais belo...

 

Assim,

das minhas

carências

fiz

trilhas de

querências...

 

No Rosário,

fiz prece...

Mas, confundi

minha oração...

 

Simplesmente,

pedi ao Pai Santo,

deixar eu morar

em seu coração...


GUARDEI

 

 

Recolhi

tuas lágrimas...

Teus lamentos,

tua saudade...

 

Na tulha,

as guardei...

Entre grãos secos

elas secaram,

também...


NADA MAIS, SEI...

 

Nada mais, sei...

Não sei, mais,

verbo,

gramática

sintaxe...

 

Crio meu verso

no meu

coração,

na minha

emoção...

 

No balanço

do sentir

vou deixando-o

fluir...

 

Não tem

métrica...

O verbo latino

tem escansão...

 

O meu

se derrete

em apenas

emoção...

 

E se funde

no falar

ao coração...

 


LUZES

 

Separei, por dentro

tudo,

em departamentos...

(Não é assim

que tudo funciona,

atualmente?)

Administrar,

para

solucionar...

 

Juntei toda a tristeza,

que doía, em mim,

num cadinho,

e enterrei tudo

no fundo do mar,

abrigo sereno

exposto

ao reciclar...

 

Das misturanças

desaventuradas,

fiz nascer

esperanças douradas...

Na escuridão,

busquei luzes...

Quis que a amplidão

iluminasse e arejasse

as masmorras do castelo

da minha solidão...


PRECES

 

Minha poesia

falou baixinho

sussurrou emoção...

 

Pois preces fiz,

pedindo o fim

de minha solidão...

 

Em madrugadas

sombrias

pedi remissão

em rosários luz...

 

Misturei acalantos

com orações...

Aprendi

reviver esperanças

ao ouvir canções...

 

Na estrada

deixei minha tristeza,

colori meu coração,

pus minha alma

a cantar...

Amigo,

reviva esperanças...

Ouça comigo

a canção do coração...

 


TRAZ-ME

 

Traz-me

flores do campo.

Traz-me

teu amor,

meu encanto...

Traz-me

eu mesma, para que

em teus braços

haja acalanto

e, em nós dois,

a poesia do encontro...

 

 

 

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