Introdução


A Academia Bauruense de Letras nasceu de uma idéia. Aliás, todo  projeto cultural nasce da luz das quimeras de visionários da Sociedade – a não ser aqueles encomendados para outros fins que não sejam a vivência da arte pura. Em novembro de 1991, a fluidez da arte poética merejava em “Noite de Poesia” na Escola Progresso. Esse evento acontecia há anos na Escola da Professora Celina Lourdes Alves Neves e era coordenado pelo Professor Antônio João Fraga Padilha. A anfitriã falou do sonho em participar da fundação de uma Academia Bauruense de Letras. Um dos presentes, Wanderley José Francisco, expôs ter sido autor de um  projeto, quando vereador, que previa a fundação da aludida entidade. Esse projeto culminou com a Lei nº 2.00l, de 31 de dezembro de l976, promulgada pelo então Prefeito Luis Edmundo Carrijo Coube. Não obstante, a lei não chegou a ser  regulamentada;  comprova-se, porém, o interesse de bauruenses em fundar a Academia.

 Far-se-ia mister reunir cidadãos que militassem na arte da palavra, a fim de se apreciar a viabilidade do projeto. A primeira reunião com objetivos formalizados aconteceu em l9 de dezembro de l99l, no mesmo local – rua Gerson França, nº 6-66. Estiveram presentes as seguintes pessoas: Celina Lourdes Alves Neves (a anfitriã), Wanderley José Francisco, Adasil Correia Santos (in memoriam), Roberto Rodrigues Malini, Luiz Víctor Martinello e Joaquim Simões Filho. Constituiu-se a Comissão pró fundação da Academia Bauruense de Letras, tendo como Presidente Celina Lourdes Alves Neves e como Secretário Joaquim Simões Filho.

O objetivo inicial foi fixado: elaboração do Estatuto e do Regimento Interno. Para concepção desses diplomas, foram apreciadas as experiências de entidades congêneres, como:  Academia Brasileira de Letras, Academia Campinense de Letras e Academia Botucatuense de Letras. Depois de transpirar sobre a pena do trabalho, com forte participação de Jarbas Basílio, agregado ao grupo, o Estatuto e o Regimento Interno estavam concluídos. A comunidade precisaria ser convocada para dar seu parecer. Era o próximo desafio.

Intelectuais da cidade foram consultados sobre o ser da Academia,  por meio do “Apenas” – Diário de Bauru de 26 de janeiro de l992.  Eis alguns pareceres sobre a viabilidade da Academia: “Vai ser uma espécie de fogueira de vaidades”; “Ela só vai fazer com que o ego das pessoas seja exaltado”; “A Academia está mais para atestado de óbito do que para certidão de nascimento”; “É um tipo de congregação que não tem sentido no mundo de hoje”. Mas, ao lado de tapas e pedradas, algumas pessoas aplaudiam: “Se houver uma estrutura estatutária, política e ideológica, pode-se batalhar pela implantação”; “Uma cidade progressista como Bauru sem uma Academia de Letras é como um templo sem imagens”; “Seria a maneira de se congregarem escritores e poetas”.

A Comissão decidiu convocar a Comunidade. Foram distribuídas cópias do Estatuto e Regimento Interno a grande número de cidadãos ligados à literatura, história  da cidade e ao jornalismo. A reunião foi marcada para o dia 27 de junho de 1992, no Automóvel Clube de Bauru. Entre os membros da Comissão e convidados estiveram presentes as seguintes pessoas: Celina Lourdes Alves Neves, Jarbas Basílio, Joaquim Simões Filho, Cibele Camargo da Silva, Antônio João Fraga Padilha José Benedito Pinto, Raul Gonçalves Paula, Mariluci Genovês, Roberto Magalhães (e esposa), Clodoaldo Meneguello Cardoso, Luiz Victor Martinello, Olegário Bastos e Luciano Dias Pires. Não houve unanimidade. Aconteceram manifestações contra os princípios conservadores das propostas. As contestações fluíram como açoites. Os membros da Comissão sentiram o sabor amargo do esmorecimento que perdurou por mais de três meses. Mas, como a planta ceifada, começaram a surgir brotos das raízes ainda vivas. A Comissão voltou a se reunir. Alguns pareceres daquela reunião foram aceitos e procurou-se democratizar de forma cuidadosa as metas acadêmicas. Criou-se, inclusive, a categoria de Membro Agregado, para os acadêmicos efetivos que se desligassem das obrigações de membros efetivos.

Antes de se lançar a pedra fundamental, resolveu-se convocar a Comunidade para tratar da fundação da entidade. Eis o edital de convocação, publicado no Jornal da Cidade, em 6 de julho de l993:

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Convocação...


 

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